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Notícia da Cidade do Paulista!

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Coluna de sexta-feira


A crise política

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       Temer não leu o Romance da Donzela Teodora. A protagonista do cordel dizia que língua corta mais do que faca. Diria eu que corta mais do que guilhotina e, no Brasil, nessas épocas conturbadas, a língua cortante da delação fez as vezes da lâmina revolucionária.

    E em uma sucessão escandalosa toda semana os políticos tem suas cabeças decepadas pelas informações picantes, que fazem a cabeça dos jornalistas se agitarem e as análises dos anônimos pulularem nas redes sociais. Aécio Neves, mesmo com um elegante texto de explicações, publicado na Folha de São Paulo do dia 22/05/2017, não ganha nem mais para síndico de prédio. Olhe lá, seu arguto… No mundo da política há muitas ressurreições e às vezes o eleitor gostar de ser folião. Não vou dizer então que ele não ganha mais, todavia a nódoa política foi eterna enquanto ele durar nesta vida passageira. Certamente não será mais presidente do Brasil, cai mais uma liderança.

      O Brasil está atônito com tantas delações. Desconfia-se agora do uso político e econômico desse instuto a largo uso pelo Ministério Público Federal, que é a delação premiada. Algumas vozes já se manifestam dizendo que o acordo com Joesley Batista foi um superacordo, muito vantajoso para o delator. De todas as vozes distoantes muitos gritam até por eleições diretas. A Constituição Federal diz que nos últimos dois anos do mandato as eleições são indiretas e o escolhido cumpre um mandato-tampão, até findar o tempo restante, seguindo-se a eleição normal. Ou é má-fé, ou os políticos padecem de ignorância crônica.

   Das mortes políticas, das reputações duvidosas, a nossa República obedece à sua vocação desde o nascedouro: crises, crises e mais crises. Até quando o Brasil aguentará?

 

Antonio Manuel, advogado especialista em direito público.

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